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Week-end à Francesa [Crítica]

“Weekend” é um filme sobre uma viagem ao interior da França que se torna um pesadelo visual para aqueles que se encontram dentro do campo imagético do filme. Godard traz nesse filme uma visão apocalíptica sobre a relação do mundo com o materialismo sobre o qual a sociedade francesa ousava se gabar de viver nos anos 60. É um longa metragem sobre o estilo de vida inconsistente, diabólico, real e contemporâneo do ocidente. 

Existem três nuances do filme que se destacam para mim sobre o projeto, sendo elas a grande quantidade de explosões/destruições de veículos, a carnificina e a paleta de cores. Os veículos são as grandes atrações do filme, um espetáculo destrutivo sobre o objeto de consumo que se tornou banal na classe média francesa da época. Quando se pesquisa sobre o filme na internet muito se fala sobre a sequência de 300m em traveling e em como o projeto conseguiu enfileirar 100 carros, e isso é realmente um grande feito do filme, mas ainda acho que se trata de um trágico e malicioso gasto em busca do espetáculo no cinema. Se falar isso para um cinéfilo ele poderia justificar que o cinema hollywoodiano estava gastando muito mais em filmes muito menos impactantes, e é verdade, só que minha opinião não muda, Godard fez o que fez por ser Godard, sua escolha foi pura necessidade de atenção para o projeto de uma massa que a alegoria do plano fosse um grande ponto, e assim,  que levasse o público ao debate que ele queria para o cinema de sua nova fase. Os carros explodindo trouxeram o ar apocalíptico destrutivo que remeteu ao público majoritário uma visão mais limpa e “comum” aos olhos de quem consome conteúdos que remetem a guerras. 

Com o passar do filme, aspectos mais sujos e destrutivos de um verdadeiro apocalipse surgem na tela. A carnificina surge, a textura líquida e vermelha do sangue chega aos asfaltos e campos de verde daquele cenário interiorano, pessoas morrem, animais são degolados na frente da câmera e nada é cortado, nem o canibalismo. O filme a partir desse momento pode ser resumido a textura de terra regada de sangue. A questão para o filme sobre a utilização desses meios vem a mim como uma justificativa que Godard queria dizer que para aquele momento, quem não estava praticando ou sofrendo violência não estava vivendo aquele mundo.  

A paleta de cores se destaca pela utilização das três cores primárias que muito podem falar sobre e serem interpretadas durante o projeto. Vejo como uma busca através dos elementos modernos como carros e roupas utilizados pelas pessoas, uma noção que não separa tanto quanto acham aquele sentimento primário da humanidade, aquela insanidade regida pela necessidade de sobrevivência das sociedades antigas, só que sob a visão capitalista. As cores são primárias, as atitudes são primatas, os desastres são previsíveis. Em algum momento de minha reflexão, lembrei sobre o longa-metragem “Nuvens Passageiras” (1996) de Aki Kaurismäk, as cores são as mesmas e a personagem sofre as consequências de um sistema que está funcionando perfeitamente. Ambos os filmes conseguem trazer uma harmonização dessas cores que dificilmente combinam entre si, e isso faz desses filmes ótimos exemplos da vida no mundo capitalista – seja em contexto apocalíptico ou não – velada de muita tecnologia ainda é uma selvageria total onde todos só querem sobreviver. 

Godard fez um filme expositivo sobre o mundo para a classe média francesa, eram eles os consumidores de seu trabalho, eram eles que estavam com letramento sobre a linguagem do cinema, mas não eram eles que estavam sofrendo as margens do mundo. Na cena dos monólogos de dois garis você vê essa necessidade de dar voz aos marginais, mas nada disso seria relevante se tirar do contexto inserido que o filme foi exibido. É um bom filme, mas não chega nada perto de um filme que realmente precisa ser assistido mais de uma vez, seu diálogo é totalmente dinâmico, mas para além de desenvolver o debate que se propôs ele é um filme tedioso e espetaculoso.

Nota do autor:

Avaliação: 2.5 de 5.

Julio Cesar Gama

Título OriginalWeek end
Lançamento1967
País de OrigemFrança/Itália
DistribuidoraThe Criterion Collection
Duração1h45m
DireçãoJean-Luc Godard

Onde Assistir?
(não oficial)

https://x.com/acervododrive/status/1632478782832377857

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