Nossa Crítica
O amor tem esse caráter de culto, que pede por um adorador e um adorado. Ele confunde, brinca, é maior do que noções pré-estabelecidas de gênero e classe. É a mistura perfeita do divino e do profano: é humano.
Petra, inicialmente, é essa personagem tão autocentrada, egocêntrica, que seu gosto por si mesma não cabe em seu peito e ela precisa compartilhar o amor por si em outro seio. Mas, assim como Midas (referenciado no enorme quadro “Midas e Baco” do quarto da personagem), acaba escrava do próprio desejo e poder.
Um estilista constrói seus vestidos a partir do modelo; quando Petra se apaixona, ela visualmente adquire o semblante de um manequim e se transforma em outra pessoa, o anseio de ser amada por Karin a deixa disposta a ser moldada pelas necessidades do seu objeto amado a ponto de se esvaziar de si.
O filme é muito eficaz ao explorar essas relações de dominador e dominado dentro das imprevisibilidades do amor, a hierarquia do poder nas diferentes formas de relacionamento. E é especialmente feliz ao traduzir a claustrofobia de sentir através da mise-en-scène e da fotografia. Petra é uma boa lembrança de que somos o que vivemos, então é importante se deixar levar. Principalmente quando se trata da gostosa e terrível morte do ócio que é amar.
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