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Zona de Interesse

Zona de Interesse

2023 1h 45min Jonathan Glazer 0
3.5
AVALIAÇÃO
Publicado em 05 de mai de 2024 às 18:00

Nossa Crítica

Reconhecido no Oscar de 2024, “Zona de Interesse” é um filme interessante que aborda um acontecimento histórico já tantas vezes recontado, mas de uma perspectiva um pouco diferente. O horror da segunda guerra mundial aqui é exposto na estranha normalidade do dia a dia de uma família alemã durante o holocausto. Não vou dizer que o filme me agradou em tudo, mas acho que ele tem sim uma mensagem importante a nos transmitir, mesmo que os métodos utilizados não tenham surtido tanto efeito em mim.

Como falei, acompanhamos o dia a dia de uma família alemã durante a segunda guerra mundial. Pior que isso, somos apresentados a família do diretor do campo de concentração de Auschwitz. E pra piorar ainda mais, a casa da família fica literalmente do lado dos muros do campo. Mesmo assim, com o extermínio de seres humanos acontecendo logo ao lado de sua casa, seus moradores não sentem qualquer desconforto com o que está acontecendo, sendo um chão sujo de lama muito mais incômodo do que a morte de milhares de inocentes do outro lado do muro.

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A abordagem da temática da guerra por uma perspectiva diferente da convencional, sem a ação dos campos de batalha ou o drama da perseguição aos judeus traz uma renovação estética para essa temática nesse filme. Mesmo tão próximo fisicamente de um dos maiores horrores da guerra, o impacto não é sentido pelos integrantes da família que acompanhamos. Isso se torna a coisa mais chocante para nós que assistimos e temos conhecimento de tudo aquilo. A naturalização da barbárie é o tema central da obra, que utiliza de diversos elementos metafóricos para nos transmitir suas tocantes mensagens.

Por outro lado, achei o desenvolvimento dramático familiar chato e em certo ponto até inconsistente, mas tudo isso se mostra importante para o que o filme quer nos passar. As alusões e metáforas que são deixadas pelo caminho – igual as maçãs que são deixadas para os prisioneiros por uma garotinha – são a parte que realmente interessa do filme. Em um determinado momento, as coisas começaram a parecer exageradamente expositivas e com pouco aprofundamento, mesmo que as entrelinhas já estivessem repletas de conteúdo. Essa expositividade me pareceu um pouco desnecessária, mas não sou eu que estou fazendo o filme. No entanto, o filme também apresenta certas cenas cruciais que se destacam na experiência final. A cena das flores em contraposição aos gritos de desespero dos prisioneiros, a utilização das cores nazistas ao longo do filme e a fotografia com a utilização de câmeras de visão noturna para expor uma minoria contrária ao extermínio. Nada isenta o país do que a história conta, mas a perspectiva que nos é apresentada acaba puxando o cabo de guerra para um lado muito pesado, de certa forma. E essa maneira menos óbvia de nos contar a história me parecia ser o trunfo perfeito que o filme deveria se agarrar durante toda a sua duração.

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Como já citei, nas entrelinhas existem muitas alusões e metáforas legais. Uma certa cena me fez pensar muito a respeito. Quando um dos meninos da família prende o irmão num galpão e acha aquilo muito divertido, demonstrando como aquelas pessoas, por mais que se mostrem aparentemente alheios a tudo aquilo, estão sim sendo influenciadas pela mentalidade nazista. Sequências como essas poderiam ser a base da narrativa que, a meu ver, se fecha de uma maneira um pouco mais solta do que poderia alcançar.

De todo modo, ainda achei o filme uma experiência importante e que traz reflexões interessantes para um contexto tão problemático da nossa história. A maneira como o filme oscila entre a sugestão e a expositividade torna a obra um tanto quanto inconstante, mas a sua essência é suficiente para suprir essas lacunas, sem causar incômodo ao espectador, pelo menos no meu caso. O incômodo que o filme causa fica por conta da naturalidade com que as atrocidades da guerra são encaradas pelos integrantes daquela família. E apenas pontuando, ótimas atuações, aliás.

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Nota
3.5

Gabriel Santana

Cena final

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