Nossa Crítica
Filme brasileiro de 2016 que aborda um tema ainda hoje muito atual e que vai, infelizmente, permanecer na nossa sociedade por muito tempo. A produção mistura muito bem, com metalinguagem, a ficção e cenas de um documentário sendo gravado dentro do longa, o que deixa ainda mais crível aquela realidade abordada.
Logo de início conhecemos, no centro de São Paulo, o prédio precário onde a história irá se passar. O lugar é mostrado já com cenas da tubulação e sistema elétrico precário que vão nos apresentando o modo de vida daqueles moradores. Com algumas poucas cenas já somos capazes de entender do que se trata o local. O grande Hotel Cambridge é uma ocupação que abriga refugiados de fora e de dentro do Brasil. Com apenas algumas conversas simples conhecemos os moradores do local que, por tamanha autenticidade, dão a impressão de serem pessoas reais. E realmente há algo de autêntico ali. A história tem um fundo de realidade sim. E é um fundo bem triste. São diversos os personagens que ocupam o local e buscam uma vida melhor a partir dali. No meio de todos os problemas que a vida já impôs aos moradores, chega a notícia da ordem de desapropriação do prédio. Enquanto tudo isso acontece, os moradores estão gravando um documentário para tentar expor aquilo para o mundo através da internet. Algo bem pensado, numa época que os smartphones ainda estavam se popularizando. E isso ainda se conecta aos diversos motivos que levaram as pessoas àquela situação, como, por exemplo, um congolês que teve que fugir da situação de guerra do Congo por causa da mineração de metais usados em equipamentos eletrônicos. O filme é um belo exercício de consciência, pois demonstra um lado muitas vezes escondido das pessoas que não tem onde viver e são apagadas do cenário urbano. Além da falta de moradia, o problema social dos refugiados é muito bem abordado, não se tratando apenas de refugiados de fora, mas também de refugiados do nosso próprio país. A abordagem do longa é muito hábil em demonstrar uma realidade bastante verossímil e nos fazer sentir o quão oprimidos aquelas pessoas foram e continuam sendo sem nenhuma ajuda ou apoio, tendo que lutar em mutirão para se organizar e cuidar uns dos outros. Além disso, é bonito ver como, mesmo em meio a tudo isso, os moradores ainda conseguem encontrar momentos para descontrair e fugir um pouco dos problemas através das relações de amizade e acolhimento mútuo. Acredito que o que fica de lição principal, tanto do filme em si, quanto da produção artística dos moradores do prédio, é relembrar para todos nós que essas pessoas existem e são gente, são seres humanos também e estão ao nosso redor, por mais que muitos tentem esconder ou culpá-los por sua situação.
Eu realmente curti a experiência e acho que esse filme é muito valioso pela sua mensagem e pela condução excelente que nos transporta para o mundo realístico (até demais) por uma perspectiva diversa. Mesmo sendo pouco conhecido, acho que é um ótimo filme que sofre com a desvalorização que os brasileiros têm com o próprio cinema, infelizmente. Mas, reitero aqui que eu achei essa obra bem consistente e sua estrutura primorosa.
Logo de início conhecemos, no centro de São Paulo, o prédio precário onde a história irá se passar. O lugar é mostrado já com cenas da tubulação e sistema elétrico precário que vão nos apresentando o modo de vida daqueles moradores. Com algumas poucas cenas já somos capazes de entender do que se trata o local. O grande Hotel Cambridge é uma ocupação que abriga refugiados de fora e de dentro do Brasil. Com apenas algumas conversas simples conhecemos os moradores do local que, por tamanha autenticidade, dão a impressão de serem pessoas reais. E realmente há algo de autêntico ali. A história tem um fundo de realidade sim. E é um fundo bem triste. São diversos os personagens que ocupam o local e buscam uma vida melhor a partir dali. No meio de todos os problemas que a vida já impôs aos moradores, chega a notícia da ordem de desapropriação do prédio. Enquanto tudo isso acontece, os moradores estão gravando um documentário para tentar expor aquilo para o mundo através da internet. Algo bem pensado, numa época que os smartphones ainda estavam se popularizando. E isso ainda se conecta aos diversos motivos que levaram as pessoas àquela situação, como, por exemplo, um congolês que teve que fugir da situação de guerra do Congo por causa da mineração de metais usados em equipamentos eletrônicos. O filme é um belo exercício de consciência, pois demonstra um lado muitas vezes escondido das pessoas que não tem onde viver e são apagadas do cenário urbano. Além da falta de moradia, o problema social dos refugiados é muito bem abordado, não se tratando apenas de refugiados de fora, mas também de refugiados do nosso próprio país. A abordagem do longa é muito hábil em demonstrar uma realidade bastante verossímil e nos fazer sentir o quão oprimidos aquelas pessoas foram e continuam sendo sem nenhuma ajuda ou apoio, tendo que lutar em mutirão para se organizar e cuidar uns dos outros. Além disso, é bonito ver como, mesmo em meio a tudo isso, os moradores ainda conseguem encontrar momentos para descontrair e fugir um pouco dos problemas através das relações de amizade e acolhimento mútuo. Acredito que o que fica de lição principal, tanto do filme em si, quanto da produção artística dos moradores do prédio, é relembrar para todos nós que essas pessoas existem e são gente, são seres humanos também e estão ao nosso redor, por mais que muitos tentem esconder ou culpá-los por sua situação.
Eu realmente curti a experiência e acho que esse filme é muito valioso pela sua mensagem e pela condução excelente que nos transporta para o mundo realístico (até demais) por uma perspectiva diversa. Mesmo sendo pouco conhecido, acho que é um ótimo filme que sofre com a desvalorização que os brasileiros têm com o próprio cinema, infelizmente. Mas, reitero aqui que eu achei essa obra bem consistente e sua estrutura primorosa.
Nota
4
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